Grito Número Noventa e Três:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 22:39 2 comentários
Grito Número Noventa e Dois:
E se aproximando o momento do rugido de vitória lembrei-me de meu currículo: a primeira e única revolução efetiva que participei foi quando concluí uma mijada inteira sem pingar fora do vaso.
Ainda assim resolvi brindar à tentativa que o momento me ofecerera, com canções de liberdade, meio às flores despedaçadas e pinos de granada, mas minha garganta estava repleta de rouquidão.
E ao colher os cravos não-pisados do chão, os ergui apontando para os céus, com lágrimas nos olhos e mudo, para celebrar o fim a opressão crônica.
Então fui queimado com napalm junto com todos que gostavam de cantigas sobre flores.
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Grito Número Noventa e Um:

Postado por Dan Arsky Lombardi às 12:51 1 comentários
Grito Número Noventa:

Postado por Dan Arsky Lombardi às 10:27 6 comentários
Grito Número Oitenta e Nove:

Postado por Dan Arsky Lombardi às 22:40 2 comentários
Grito Número Oitenta e Oito:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 10:38 2 comentários
Grito Número Oitenta e Sete:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 19:52 4 comentários
Grito Número Oitenta e Seis:

Postado por Dan Arsky Lombardi às 10:04 4 comentários
Grito Número Oitenta e Cinco:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 20:45 2 comentários
Grito Número Oitenta e Quatro:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 15:13 5 comentários
Grito Número Oitenta e Três:

Postado por Dan Arsky Lombardi às 21:18 2 comentários
Grito Número Oitenta e Dois:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 23:51 3 comentários
Grito Número Oitenta e Um:
SOBRE EU TENTAR ESCREVER COMO O VELHO BUK...

Estou lendo e me deleitando com "Ao Sul de Lugar Nenhum - Histórias da Vida Subterrânea" de Charles Bukowski. Tentei, como um exercício, me valer do seu estílo escatológico, vagabundo, visceral, verdadeiro e cru de lidar com as palavras, bem como trazer uma narrativa não habitual do que estou acostumado a colocar (ou atirar) para fora. Preparei então a inspiração e encarnei o velho e destrutivo Henry Chinaski. O que surgiu foi um conto, que assim batizei:
Albert estava fodido. Andava fodido há anos. Não tinha dinheiro, comia sobras dos restaurantes e recolhia baganas de cigarros nas vielas para montar seu cigarro nos guardanapos que roubava das lanchonetes que colocavam mesas nas calçadas. Eis que houve um dia que um sujeito ruivo, com um grande bigode cor de ferrugem se deparou com aquela figura patética e imunda. Alberto fixou seu olhar naquele bigode laranja e não escutou as duas frases que o senhor enferrujado de sardas havia proferido.
-Hey! Você ouviu o que eu disse?
-Desculpe, não estava prestando atenção.
-Me chamo Larry. Quer ganhar uma grana?
-De quanto estamos falando? - disse Albert jogando, pois aceitaria até um pedaço de pão com mais idade que ele.
-Que tal quinhentos dólares semana?
-Quem eu tenho que matar?
-Lhe explico, quer tomar um café, ali na esquina da Rua Denver?
-Eu aceito uma cerveja.
Caminharam uma quadra e meia até a bendita esquina e se sentaram em uma das mesas do lado de fora da loja. O garçom reconheceu Albert das afanadas de guardanapos, mas se resignou a atendê-los normalmente.
- Um café preto para mim e uma cerveja para meu amigo, por favor.
- Você prefere Pilsen ou Lager?
- Meu amigo, faz tempo que bebo água de viela, me traga qualquer uma, ou a mais gelada.
Larry riu do semblante de asco do garçom esboçado por meio segundo.
-Vamos direto ao ponto - disse Albert.
-Certo. O negócio é o seguinte. Eu não consigo satisfazer plenamente a minha mulher.
-Beleza, eu como ela tranquilo.
Já fazia um bom tempo que Albert não trepava com ninguém, além de suas mãos. Ele usava a mão esquerda para finjir que era uma mulher desajeitada. Idealizou a mulher em questão e até colocou nome
nessa punheta especial de garota falsa.
-Não é bem assim. Você não vai fazer sexo com ela - disse Larry afrouxando sua gravata.
-Me diga... como é mesmo seu nome?
-Albert. Albert Foster Jr..
-Então, Albert, o negócio é que não consigo peidar.
-Que diabos? Não entendi.
-Já ouviu falar em flatofilia? É o prazer sexual atingido através do inalar de peidos.
-E sua mulher curte cheirar peido?
-Ela cismou que quer isso agora. E faço tudo por ela.
-E você quer que eu peide como? Em uma garrafa?
-Não. Nada disso. Você vai encostar o cu no nariz dela e fazer o serviço de uns bons peidos de quinhentos dólares semanais. Enquanto isso eu faço sexo com ela.
-Cara, que coisa doentia.
-Eu acho estranho também, mas é a minha esposa e faço tudo para vê-la feliz. Além do que, você andou comendo muitas coisas estragadas, deve ter uns traques bem fedorentos.
-O que você acha de uma amostra grátis?
Albert levantou uma de suas pernas e soltou uma bufa cuja sonoridade parecia a de mil helicópteros trombando no ar. O aroma da bomba era indiscritível.
- Que nojo, homem. Acho que vou vomitar minhas roscas do café da manhã.
Dito e feito. O mingau azedo que acompanhava o cheiro de flato no ar casaram-se para formar algum tipo de cheiro letal.
Antes que acontecesse o pior naquele espaço onde outras pessoas se alimentam, foram embora.
Larry deixou uma nota de cinquenta dólares pela cerveja e café que não vieram e pelo fedor de vômito e flato que deixaram ali.
-Minha mulher vai adorar, de bônus vai ganhar esse cu que não deve ser limpo desde o crash de 29.
-Em 29 eu nem tinha nascido, caralho! Não avacalha.
-Estava brincando.
Entraram no carro de Larry. E que carro! Um Bentley R Type Continental preto, com as tiras brancas nos pneus dando um toque de requinte luxuoso.
Andaram por quinze minutos com as janelas abertas, pois Albert fedia um pouco, não da peida mortal que soltara, mas do acúmulo de sujeira e craca dos últimos tempos.
Quando chegaram na mansão, Albert já foi assoviando.
-"Fiiiu"! Que cabana!
-Vamos direto ao que interessa.
Deixaram o Bentley com o manobrista e entraram pela cozinha. Albert já foi pegando a garrafa de whiskey que estava sobre o balcão e tratando de dar uns goles.
-O quarto é por aqui. Vanessa deve estar nos esperando.
Subiram dois lances de escada e entraram na porta que estava a direita.
Quando Albert fitou Vanessa ficou no mesmo momento de pau duro. Estava de camisola vermelha, totalmente transparente. Era uma morena de uns vinte e oito anos, no máximo. Novíssima, ainda mais para
um coroa rico de bigode ruivo.
-Esse que é nosso assoprador.
-Assoprador! Ha-ha! - disse Albert.
Foram curtos e grossos. Vanessa já estava de calcinha abaixada nos joelhos e Larry esfregando seu pinto em Vanessa, tentando encontrar uma ereção.
-Vai Albert! Peida nela! - Larry estava estimulado com a alegria de sua ninfeta.
Albert abaixou sua calça de brim surrada e encostou o rabo no nariz da Vanessa e fez força. Não saía nada. Temeu fazer mais força e cagar na boca da mocinha, mas sentiu que uma rajada de vento
à base de metano estava a caminho. Foi um barulho surreal e o cheiro idem.
Vanessa sentiu aquele cheiro repugnante e gozou na mesma hora. Depois quis encerrar as atividades.
-Meus parabéns. Você é um excelente assoprador - disse Vanessa dando um tapinha em sua costas.
-Aqui estão seus quinhentos dólares e mais cinquenta de gorjeta por ter feito um bom trabalho. Pegue esse extra e vá ao "Le Château de Fontainebleu" na Rua Maple, como lá todos os dias, você não irá se arrepender.
Volte amanhã.
Albert não via aquelas cores verdes havia muito tempo. Contou umas vinte vezes o dinheiro.
Pegou um táxi e foi para o centro. Foi ao barbeiro e pediu por um serviço completo. Tirou toda a barba amarela de sujeira e fumaça de cigarros remendados e deixou o cabelo bem curto.
Depois foi ao alfaiate e comprou seu melhor terno. Estava começando a parecer com Larry, exceto pela cor dos pêlos, que de ruivos não tinha nada - era todo grisalho. Estava estiloso e bem apresentável.
Foi ao "Le Château de Fontainebleu" e pediu metade do cardápio. Comeu canapés com caviar, bebeu champanhe francesa e tomou duas garrafas de vinho, comeu um ensopado de vitela e duas tigelinhas de Crème brûlée.
Sentiu vontade de dar um arroto, mas segurou. Pagou tudo e deixou cinco dólares para o garçom.
Foi até o Hotel do Parque e pediu por um quarto simples.
Tirou seu paletó novíssimo e deitou com a barriga estufada.
-Larry tinha razão, valeu cada centavo, comi como um rei - a última palavra saiu arrotada.
Dormiu como um barão cigano.
Quando acordou com o sol violentando sua paz, já era a hora de realizar seus serviços sujos.
Apanhou um táxi e chegou na mansão nada modesta em aproximados vinte e cinco minutos.
-Fique com o troco.
Como da última vez estava o casal pronto para a ação, Vanessa de camisola, desta vez preta, e Larry estava pelado. Tinha os pelos do pinto ruivos também, mas Albert evitou olhar para aquele cano enferrujado, embora chamassem demasiada atenção.
Nem repararam a barba feita de Albert, nem o terno, estavam esperando os peidos.
Já estavam na posição sexual de costume, com Albert encostando seu cu peludo prestes a expelir uma núvem de sabores sombrios no nariz de uma amável esposa de um senhor ruivo.
Forçou, forçou e nada de gases.
Perdeu até o medo de cagar na cabeça da garota, mas não saía nada.
-Não vai rolar! - disse Albert
-Ah! Então é a comida do "Le Château"! Eu bem que desconfiava, porque depois que eu comecei a comer lá, nunca mais tive gases, e olha que tenho úlcera.
-Pode deixar que eu não como mais lá. - Albert disse como funcionário proativo que estava se tornando.
-Esqueça, eu também não vou comer. Seus serviços não são mais necessários aqui. Pode se retirar, por favor.
Postado por Dan Arsky Lombardi às 23:01 3 comentários
Grito Número Oitenta:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 22:58 4 comentários
Grito Número Setenta e Nove:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 02:23 2 comentários
Grito Número Setenta e Oito:

Postado por Dan Arsky Lombardi às 15:25 2 comentários
Grito Número Setenta e Sete:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 13:41 2 comentários
Grito Número Setenta e Seis:
SOBRE ELEFANTES COLORIDOS E ESPATIFADOS
Um elefante, desses acinzentados e gigantescamente atarracados, arranjou mil tinturas com babuínos curandeiros. Pintou a tromba de cor-de-abóbora e o corpo todo de amarelo-queimado. Usou uma tinta branca para seu tórax e laranja em suas patas. Denodado, se jogou de um penhasco, cheio de pose e garbo, para seu vôo de libertação. E ainda assim, nada disso fez dele um canário.
Postado por Dan Arsky Lombardi às 18:15 1 comentários
Grito Número Setenta e Cinco:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 20:05 2 comentários
Grito Número Setenta e Quatro:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 19:46 1 comentários
Grito Número Setenta e Dois:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 19:38 0 comentários
Grito Número Setenta e Um:
Nadando em mar aberto desacompanhado (ou O Homem Contra Todos Os Sistemas Possíveis)
Terminal de trólebus, centro de São Bernardo do Campo, Grande São Paulo (talvez já devessem chamar de gigante, colossal ou monstruosa São Paulo).
Desci do ônibus depois de uma pequena jornada de sessenta minutos do sol torrando minha orelha direita por todo o caminho. Era janeiro e o sol castigava minha pele pálida com seus raios violentos.
Faltavam cinco minutos para uma da tarde, horário que havia combinado com minha mulher para nos encontrarmos nas catracas. Fui ao telefone público chamar por ela, pois as mulheres sempre se atrasam para nos encontrar, acho que faz parte do charme delas. Criar uma espectativa flamejante com esperar de uns poucos (ou muitos) minutos.
No caminho para o telefone passei por uma trupe de operários trabalhando no banheiro da estação, senti um dos cheiros mais odiosos que eu tenho memória em meus vinte e três anos.
"Eles deveriam realizar essas obras durante a madrugada, para não incomodar o nariz dos usuários dos trólebus!" pensei comigo mesmo. Mas meus sentidos haviam me traído mais uma vez, pois os meus olhos não enxergaram a verdadeira fonte do mau cheiro: um homem.
Estava do lado de fora da estação encostado em um dos muros, tinha a pele parda e uma longa barba cor de gris, amarelada pelo acúmulo de sujeira.
O homem se encontrava com as calças em trapos, abaixadas até os calcanhares, agachado e de olhos cerrados. Cagava em plena luz do dia, no meio do tumulto do centro da cidade, sem pudor, sem vergonha alguma.
Já não bastasse isso, recortava sua fezes com os dedos em pedaços de uma polegada, lambuzando os dedos e sujando suas unhas com o próprio excremento. A cor dos dejetos era acinzentada, como se o homem houvesse comido jornal para dormir sem fome (o que provavelmente foi seu jantar da noite anterior).
A cena causava um semblante de asco de umas senhoras que se dirigiam a uma igreja evangélica que estava a poucos metros, alguns outros poucos riam do homem, como se aquilo fosse uma grande comédia.
Poucos segundos depois o homem abriu seus olhos e fitou os meus por meio segundo, não havia brilho algum naquele olhar. Pensei comigo no mesmo momento que aquele homem havia conseguido algo (com toda certeza, sem querer) que eu busco até hoje, ele estava, de fato, contra o sistema. Talvez o único punk verdadeiro de todos os tempos.
Em um comunista convicto, atrás de todo discurso de culpabilidade, existiria o nojo de manter qualquer contato.
Em um capitalista selvagem, geraria certamente a ânsia de atirar umas moedas ao pobre, ou pelo menos uma tira de papel para que pudesse limpar seu rabo.
Não importa a posição política, nem a orientação religiosa de quem quer que seja que o olhasse naquele momento. Certamente um olhar naquela cena bestial despertaria algo completamente adverso e antagônico de toda sua crença.
E foi embora, limpando os dedos em sua calça, com a cabeça erguida, como se tivesse certo orgulho de estar contra tudo e todos que o puseram nesta situação.
Postado por Dan Arsky Lombardi às 15:30 2 comentários
Grito Número Setenta:
Parábolas Inaplicáveis
Eu sempre ouvi, desde pequeno, o dogma de oferecer a outra face e sempre achei essa estória bonita.
Mas oferecer outro coração será sempre impossível.
Munch - Madonna (1894-1895)
Noruega - Oslo - Galeria Nacional
Postado por Dan Arsky Lombardi às 14:46 3 comentários
Grito Número Sessenta e Nove:
Ascensão e Queda em Três Pequenos Sonetos
Postado por Dan Arsky Lombardi às 09:10 2 comentários
Grito Número Sessenta e Oito:

Postado por Dan Arsky Lombardi às 15:23 1 comentários
Grito Número Sessenta e Sete:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 02:23 2 comentários
Grito Número Sessenta e Seis:
Sobre as próximas doses desejadas...Nossa, como eu quero no ano vindouro me embebedar! Embebedar de Hemingway, Bukowski e Jostein Gaarder. Embebedar de Chaplin, Tarantino e conseguir intercomunicar os dois.Tão ambíguos e polivalentes.Quero me embebedar com artigos científico-jurídicos, me embebedar de teoria. Mas eu já estou vomitando há anos. Porém, sempre insisto em mais uma dose. A dose me nutre em pequenos ciscos, antes de mais um jato de vômito botar tudo pra fora. Chegou a hora da ressaca, de sentir os efeitos da última bebedeira. Ficar estático ou invés de extático, e esperar as minhas aspirinas chegarem pelo correio. E quando passar toda zonzura, já estão me esperando mil garrafas na estante para voar.Para o alto e avante, sempre. Mais uma dose, sem gelo, por favor.
Postado por Dan Arsky Lombardi às 14:11 2 comentários
Grito Número Sessenta e Cinco:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 14:35 2 comentários
Grito Número Sessenta e Quatro:
GATO XADREZ
Postado por Dan Arsky Lombardi às 20:43 1 comentários
Grito Número Sessenta e Três:
Um baobá cheio de corvos.
Seus bicos amarelos iluminam o ambiente lúgubre.
Seus grasnados ecoam uma melodia infernal.
Olhos arrancados de corpos estão perdidos meio aos galhos, qual enfeites natalinos.
Abandonados por abutres que deixaram de lado a carniça para tornarem-se urubus-rei.
Mas de rei esse urubu só tem o título.
As flores do dia de finados já estão secas e formam um colorido de tons pastéis tristes e amarelados.
Um crisântemo branco agüenta o sol de dezembro com afinco.
Esbanja vida adornando a morte dos outros.
Arco-íris de arame farpado.
Prato de alumínio levemente amassado e vazio.
Criança cheia de catarro e fome.
Um velho esquálido com camisa vermelha de propaganda de partido político de esquerda pega latas do lixo e engorda seu saco surrado de estopa.
Chuva de verão, molha tudo ao mesmo tempo em que o sol torra a todos.
“Casamento de espanhol” dizem das janelas as velhas que olham matreiras o movimento dos vizinhos e da travessa em que moram.
Escola vazia, rua imunda, vômito da véspera festiva.
Silêncio mortal da manhã.
O presidiário tirou férias da cadeia para bater em sua esposa e cheirar um pouco de pó, só volta dia dois do ano que vem para sua gaiola falha e degenerada.
Um senhor gordo fuma cachimbo em sua varanda observando as folhas secas.
Uma criança rica doa um carrinho sem rodas para uma criança pobre que recebe como se fosse uma barra de ouro.
O tal deus-menino fugiu do presépio e toma conhaque sozinho em outro planeta, se recusa a participar de festa surpresa onde não pode escolher seus convidados.
E nessa festa só dá gente chata.
Resto de rojão, garrafa vazia de sidra de maçã.
Amor entre os homens, falsidade entre as famílias, boa-vontade passageira.
Feliz natal de carne.
Feliz natal de osso.
Porque são só os ossos que sobram para maioria.
Postado por Dan Arsky Lombardi às 19:25 3 comentários
Grito Número Sessenta e Dois:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 10:18 4 comentários
Grito Número Sessenta e Um:
Sem tempo para pensar em títulos.
Acorda, pega a primeira camisa que encontra no armário e engole um pão no caminho.
Não dá tempo de escovar os dentes, de dar bom dia, de pensar.
Encara oito pilhas de papel, de
Pareciam totens de tribos canibais.
Sem agilidade seria devorado pelo expediente.
Lê, cataloga, arquiva.
Lê, cataloga e arquiva.
Começa a cantarolar uma canção da década dos homens de chapéu coco.
Percebe que catalogou tudo errado.
Começa tudo de novo desde o começo da canção.
Pensa em entrar para um coral, mas não daria tempo.
Pensa em fazer um esporte, mas não daria tempo.
Pensa em ter mais tempo, mas arquiva tudo errado de novo.
Pausa para o café, bebe dois copos descartáveis.
Coloca o copo na lixeira que diz orgânico, pois já está tudo misturado mesmo.
Serviços bancários, fila, metrô, acende um cigarro no caminho de volta.
-É um assalto.
Perde os documentos.
Não quer mais ter RG.
Não quer mais saber de CPF.
Cansou do padrão, mas nunca soube ser ovelha desgarrada.
Cansou de frases soltas.
Tirou a gravata, deitou em sua cama.
Acendeu um cigarro, serviu um conhaque.
Rezou para Nossa Senhora Aparecida.
Dormiu.
Acordou.
Voltou a dormir.
Abriu os olhos mais uma vez e apanhou a carteira de cigarros da cômoda.
Acendeu outro cigarro e fez um café.
No primeiro gole do café, se encontrou.
E estava lendo, catalogando e arquivando.
Mas estava tudo errado e tinha que começar aquilo tudo de novo.
Postado por Dan Arsky Lombardi às 10:42 1 comentários
Grito Número Sessenta:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 18:57 3 comentários
Grito Número Cinqüenta e Nove:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 09:51 1 comentários
Grito Número Cinqüenta e Oito:
Voltava por um longo e seco caminho, fora expulso do Vaudeville.
Os pés descalços marcavam o barro seco.
Alegado que sua fisionomia era grotesca demais para o circo.
Pernas esquálidas, torso monstruoso, face ulcerada cheia de verrugas.
As mãos pareciam galhos finos e secos de outono acompanhadas de uma tatuagem de coração com um nome ilegível.
Para onde iria o homem que nem siameses e mulheres barbadas desejavam?
Continuou a caminhada pensando em quem poderia se parecer com ele, além dos troncos dos bosques.
Se encostou, tentou se recompor. Com vagar, iniciou um devaneio.
Seguiu sonhando em ser um carvalho pelo resto de seus dias.
Os pássaros voavam, o lago refletia os montes do horizonte, o mundo continuava a seguir rumo próprio e o sonho permaneceu.
O homem não, tristemente pereceu mais rápido que qualquer árvore.
Postado por Dan Arsky Lombardi às 15:09 2 comentários
Grito Número Cinqüenta e Sete:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 10:59 2 comentários
Grito Número Cinqüenta e Seis:

Postado por Dan Arsky Lombardi às 11:29 2 comentários
Grito Número Cinqüenta e Cinco:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 10:08 2 comentários
Grito Número Cinqüenta e Quatro:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 10:22 3 comentários
Grito Número Cinqüenta e Três:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 20:06 3 comentários
Grito Número Cinqüenta e Dois:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 00:06 1 comentários
Grito Número Cinqüenta e Um:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 22:26 4 comentários
Grito Número Cinqüenta:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 11:36 1 comentários
Grito Número Quarenta e Nove:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 10:21 1 comentários
Grito Número Quarenta e Oito:
Sobre Plenitude Esmagada...
Postado por Dan Arsky Lombardi às 00:09 0 comentários
Grito Número Quarenta e Sete:
Postado por Dan Arsky Lombardi às 23:50 0 comentários








