Grito Número Noventa:

sexta-feira, 15 de abril de 2011

TODO FUNERAL SERÁ MINHA FESTA

Sabe que dos funerais podemos tirar muito proveito?
Além do pranto escandaloso e das frases feitas, digo. É o renascer dos que ficam meio aos crisântemos, messias de bronze e orações decoradas.
De enxergar onde se erra todos os dias de vida, de questionar seus prováveis epitáfios. É a hora de enterrar o que se foi e seguir.
Todos os dias alguns pássaros morrem e todos os dias o resto deles voa.
Dance e faça as orgias sobre o féretro que somente tenta lhe ferir.
Se entregue ao funeral que desterra a plenitude de seus dias.
E nunca diga amém a essa angústia melancólica.
Engole o choro, chame o barman e peça pra descer outra dose de bebida forte. Beba e continue caminhando inabalável, qual fortaleza medieval.
E pise nessas malditas flores de plástico de jazigos nada convidativos.
Amém e já foi tarde.

6 comentários:

Anônimo disse...

sem angustias melancolicas...a vida sempre segue.
adorei!
obrigada, Dan!
Bruna Barievillo

Anônimo disse...

a ilustração eh simplesmente magnífica!!!

Bruna Barievillo

Thales disse...

Sou muito contra flores de plástico (tenho um roteiro meio véinho com elas). E gostei muito do post e da ilustração. Um abração Danarsky!

Patrícia Lemmon disse...

Eu achei engraçado seu texto... e a imagem como sempre em perfeita sintonia com suas palavras ;)

e eu vou pedir vodka, me acompanha?

Monique Burigo Marin disse...

É que no fim, quando penso em morte penso em flores. E vice-versa. Quando ganho, é sempre com alguma tristeza que deposito suas delicadezas em um vaso e torço para que não estejam mortas de manhã. Quando começam a murchar é como se minha pele enrugasse aceleradamente. Ainda acho difícil aceitar essa condição passageira e necessária. Foi assim que acabei apaixonada pelos ciclos e pelas folhas modificadas. Orquídeas testam minha crença na vida, ainda que latente. Os cactos são como eu e gostam de manter distâncias seguras e para isso criam suas barreiras, sem perceber que estão cheias de falhas. Por culpa deles, aprendi a cuidar para não exagerar nos cuidados: matei um afogado porque eu tinha sede. Ainda não consegui fugir das ironias.Ainda erro por não querer errar.

Monique Burigo Marin disse...

Ainda escrevo meus próprios gritos e esqueço o principal: aquilo que você grita faz as vozes que ficaram mudas reaprenderem a falar. É um alívio.