Grito Número Sessenta e Quatro:

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

GATO XADREZ


Foi montando peça por peça. Torres nos cantos seguidas pelos cavalos e bispos, tudo conforme descrito na parte de trás do tabuleiro. As peças negras alinhadíssimas, encarando as peças brancas, já meio amareladas pelo tempo. A menina, com olhos tão brilhantes, se sentia em plena idade média, no maior confronto entre reinos de essência oposta. Depois do tabuleiro organizado, com tanto esmero, percebeu. Que além de não saber jogar, não poderia jogar só. A frustação passou segundos depois de alguns passos, quando avistou o balanço de pneu a chamando na figueira. Foi tudo esquecido através de sabor de vento no rosto e o balanço constante sob sombra da árvore. Deixou o reino talhado em madeira sem culpa ou remorso. Sempre será fácil abandonar os peões que te encaram feio, para poder se balançar, desde que seu coração ainda seja de criança. Afinal, o balanço é muito mais legal quando se está só, e se alguém chegar, é só pedir para empurrar.

1 comentários:

Patrícia Lemmon disse...

Foi tudo esquecido através de sabor de vento no rosto e o balanço constante sob sombra da árvore.

Queria esquecer algumas coisas assim... e que saudaaaaaade enorme de andar de balanço, fala sério! Matarei as saudades...