Grito Número Cinqüenta e Um:

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Sobre procurar piratas enquanto estou bêbado...

Tomar uns tragos sozinho numa noite de sexta-feira.
Esperar minha testa adormecer.
Chegar naquele momento que nem sei como consigo escrever.
Nem sei como começar a pensar no que quero escrever.
Como consigo estar aqui.
Não sei como cheguei a tentar escrever sobre algo.

E fico beirando o mar, com as mãos nas ondas, tentando pegar alguma coisa, qualquer coisa.
Mas a àgua passa por entre meus dedos e não me deixa de mãos limpas.
Acabo enfiando a cara na água, pra tentar me afogar de mentira, pois sei que sou covarde demais pra aguentar me ver faltando o ar.
Me sobra a boca salgada de mar para lembrar do Tyler Durden que não me acompanha.

Mas, na verdade, quando afundo tudo na beira da praia, só procuro navios naufragados ou piratas amaldiçoados.
O cheiro de rum do meu bafo deve atrair lobos do mar, daí vou tentar me encontrar com um corsário, pra ver se ele acaba levando a dor embora nas pilhagens que ele faz.

4 comentários:

Dona Filomena disse...

enquanto enterravas sua face em lágrimas salgadas
prefiri esconder-me em minhas próprias mãos
esconder minha boca sem sorriso
e meus olhos desfocados
mas continuei a ver meus dedos...

Dona Filomena disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dona Filomena disse...

se os dedos ainda são meus
se tocam meu rosto afundado
então eu me sinto...

de repente, a vela do navio pareceu mais branca
e o mar pareceu sereno

as ondas garentem que o mar não seja sempre o mesmo
assim também são os sentimentos

e não são ambos,
o mar e o sentir,
grandes aventuras?

não me levam, ambos,
a novos mundos?
a ilhas, histórias, pessoas...

não buscam os piratas tesouros?

o que devem então buscar meus sentimentos?

Neimann disse...

Muito bom ses 800 gritos mudos, parabéns!