Grito Número Oitenta e Oito:

domingo, 10 de abril de 2011

SOBRE ENGANOS, CONVICÇÕES E CAMINHOS ADVERSOS

Eu gosto de tentar me enganar. Tento ser verdadeiro nas coisas que faço, mas eu vivo de tentar me ludibriar a todo momento.
Eu estou trilhando o caminho do terno e da gravata, com muito boas intenções, mas meu coração pede que eu vista uma camiseta escrito "SUBVERTA-SE!".
Eu penteio o cabelo para trás, tipo executivo bem sucedido, mas eu sei que ele quer estar sujo, fedido e livre.

"Posso ser tolo, mas meu coração bate ainda a mesma canção."

Eu vou seguir nesse caminho que pode tentar fazer com que eu me engane, mas vou subverter tudo que pairar ao alcance das minhas curtas mãos, vou ler os
códigos de ponta cabeça e discordar de todas as leis burras e que tentam fazer com que as pessoas deixem de viver suas vidas.

Vou mijar nos grilhões.
Vou me enrolar ao amor da bandeira preta. Eu tento me enganar que deixei de crer nela, mas ela estampa meus sonhos.
Um mundo sem fronteiras e grades, humanidade unida em prol da liberdade, igualdade e justiça.
Sem barões, sem matança, sem líderes, sem classes, sem guerra e sem igrejas.

Da paixão da juventude, eu tive de adaptá-la das diatribes e sprays na parede pelo verbo manso e pela arte. Tem me trazido bons resultados, tenho arranjado
simpatizantes, que um dia podem se tornar seguidores, que um dia podem semear e espalhar boas convicções.
Eu não posso deixar que eu tenha medo que me julguem. Não posso transmitir medo à essas mentes falidas e fracassadas. Eu devo mostrar a maldição futura
de se pensar como pensam.
Eu quero cagar na esquerda, mijar na direita e mandar o centro à merda.
Eu finjo me enganar, eu finjo me conformar. Finjo comer pelas bordas.
Talvez eu apenas tenha tentado me enganar e nunca tenha conseguido.
Talvez eu esteja preso em mim mesmo de tanto tentar fingir.
Mas acho que finjo estar preso só para clamar por liberdade.

2 comentários:

Monique Burigo Marin disse...

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome."
Suas palavras ferem os ouvidos e fazem pensar na cura. A cura é aprender a ouvir.
Gostei do desenho, das cores em especial.

Patrícia Lemmon disse...

Adorei seu texto, muito sincero... confesso que me identifiquei em alguns pontos.
Ás vezes fico pensando o quanto era feliz na minha ignorancia, qdo nao sabia das coisas que sei hj, vivia num mundo de tolices, mas sim, era mais feliz, não me preocupava tanto e não tinha que fingir nada.