Grito Número Sessenta e Sete:

domingo, 9 de janeiro de 2011

Sobre a morte, pura e simplesmente...

Eu sei que ela aparece qual cisne negro de asa aberta sobre os lagos frios do norte.
E entendo que ela é o fim, que trata-se do apertar do interruptor que irá além do
apagar da luz, irá queimá-la para sempre.
E seria, de fato, confortável, pensar que haveria lugar onde sempre toda luz nunca se
apagasse. Com verdes campos, flores brancas, crianças ruivas na beira de lagos observando as circunferências resultante dos pedregulhos por elas lançadas.
Mas isso não existe em meu peito e isso aflige aos que a minha volta escutam meu coração verdadeiro, pueril e nada sutil.

O que sobrara daquele pobre coração trucidado pelos comboios?

O que o homem deixou de rastro, já que a alma não traz nada?

O que pensou a moça no momento em que o cisne negro a envolveu em suas asas e a beijou
de forma tenra e inexorável?

Será que agora habitam algum lugar secreto ou será que a cortina desceu e os atores
deste espetáculo, ora belo, ora grotesco, ora patético, ora simpático, se aposentam?
Será que se exilam num castelo rochoso inacessível?
Pois confortável seria se o fosse, mas é só estalinho da ponta do disco de vinil
anunciando a hora do silêncio e o fim da melodia.

E o cisne voa só pelo horizonte avante...

Hoje uma parte de mim que eu não me importava está morta.
Ainda não me importo, mas me faz pensar no que deixo para este mundo.
Pelo menos uma dúzia de palavras que para alguém baste.


Xeque-mate.

2 comentários:

Patrícia Lemmon disse...

Pelo menos uma dúzia de palavras que para alguém baste.

Edgar Semedo disse...

Bastará sempre, muito, para alguém. E se assim for, é porque a vida foi ganha.

Tudo de bom,

Edgar Semedo