Grito Número Quarenta e Três:

segunda-feira, 20 de setembro de 2010



Sobre tampas e ralos...


Abrir a tampa do ralo, deixar tudo escorrer, mandar toda água suja embora.

Lavar a alma.

Mas não adianta, o ralo ainda vai ser um pequeno filtro, o leviano fluido vai embora sem
hesitar, mas as cinzas, a borra do café, as baganas e os sólidos grandes vão insistir em
olhar nos teus olhos.
Vão se unir para formar um caldo infernal, uma massa de lixo que ninguém quer colocar as mãos.

Porque fede.
Porque é asqueroso.
Porque dói demais.

3 comentários:

Róger D'Oliveira disse...

Lajeado se parece com um ralo.
Que coisa!

Dona Filomena disse...

quem diria... o leviano líquido, enegrecido, não será meu sangue já morto, já podre?
e não adianta jogar flores em seu leito, elas murcham... só sobra a lembrança da beleza... e a metáfora das veias...

Bruna Barievillo disse...

porque, visceralmente, dói demais.

amei o texto!