Grito Número Cento e Quarenta e Nove:

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

VOLVER

A neve me faz adormecer na trincheira. 
Eis que chega a solidão no ataque.
Munida de baioneta, tabaco e conhaque.
Espeta meu peito e diz que não haverá esperança.

Sem clemência.
Sem tempo ou paciência.
Vou defianhando.
E quando quase agonizando,
E nos meus erros pensando, 
Chega aos ouvidos uma doce voz
Que diz que não preciso mais estar só.

E a voz me revigora.
E meu peito que até então chora
Me mostra que depois do negro agora
Pode vir manhã clara

Mas volta a noite para minha trincheira
E mais forte e derradeira
Volta camuflada a solidão
Me toma a mão e me leva mais uma vez ao trapo.
E à baioneta, ao conhaque, tabaco. 



5 comentários:

Andressa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Andressa disse...

A solidão é perseguidora fiel dos desesperançosos, e por mais que o conhaque e o tabaco sejam bons aliados, o vazio consegue inundar o peito e tornar convicção em pó. Aos mortais resta esperar o úlimo suspiro do moribundo, ou então se lançar pra fora da trincheira de uma vez.

Dan Arsky Lombardi disse...

Não havia pensado nisso, mas talvez o grande problema seja a trincheira. Mudando de endereço, talvez a solidão não me encontre mais.

mfc disse...

E aí vai um grande grande abraço!

Nica disse...

Profundo... tb escrevo... de vez em quando posto no blog...

Parabéns!

Um beijo,
Nica