Grito Número Cento e Quarenta e Um:

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O AMOR MAIS PURO QUE EXISTE


Existe na flor murcha com bom perfume.
Está no brilho do inseto que é o vaga-lume.
Está no beijo da moça em seu padrinho morto.
Existe no sentimento da criança pelo homem torto.

Está nos galhos de inverno que não sustentam flor.
Existe no maquinário enferrujado que solta nuvens de vapor.
Existe no luar da lua nova que não ilumina.
Está no delírio colorido de uma febre repentina.

Quarenta graus, quarenta-e-um. E as cores aumentam...

Existe na timidez do olhar desajeitado.
Está na tentativa de dança do esmoleiro aleijado.
Existe no riso contido do menino favelado.
Está na mão levada à boca do palavrão que escapoliu.

Está no remédio amargo que, no final das contas, cura.
Existe em achar que ama, não dizer e fingir que é tortura.
Está na tristeza que surge justamente na noite mais escura.
Existe na auto-ironia do monógolo do mal-amado.

Está nas vielas sujas e nos tapetes vermelhos.
Existe nas prostitutas dos becos e nas freiras de joelhos.
Está no torpe e vil e também no canonizado.
E viverá eternamente no sorriso franco dos desdentados.

3 comentários:

Izabela disse...

Ficou mto bom
gostii!!! ^^

Mariana Bisonti disse...

Que LYNDO.!
Adorei a forma como você vê o amor de forma original, em lugares tão diferentes do amontoado de clichês que estamos acostumados..ahhaha, tive que usar isso.
Muito bom, Dan.!

Patrícia Lemmon disse...

Adoro esse jeito como você vê as coisas.
Ficou lindo!
Parabéns.