Grito Número Trinta e Nove:

domingo, 29 de agosto de 2010

Macabea ou Santo Agostinho, não me importa.
Eu sou minha própria revelação.
Sou o luxo que me dou por ser.
Sou minha própria farsa que me assusta.
Quero ser a epifania que eu já sei os resultados.
Somos sujos, somos canalhas de um excesso qualquer.
Somos sexo e somos a busca da pureza.
Somos o que buscamos e o que queremos ser.
Sou a música que meus ouvidos temem em entender.
Somos a esmola de um povo que não se perdoa em viver de trocados.
Eu sou uma merda de filosofia de botequim que temo em aceitar.
Sou meus próprios deuses e copos de veneno em cima de um piano que toca a canção mais maldita que eu poderia temer em ouvir.
Eu sei que posso me surpreender até mesmo com o mosaico da merda que se faz no papel quando limpo meu próprio cu.
Não saber. Não saber. Não saber.
Isso é bom, pois me da sede.
Sede de querer saber o que nunca vou entender mesmo sabendo.
Sede da água que cismo em jogar fósforos acesos, só pra vê-los apagar com o barulho que me faz me apaixonar.
Garrafas de aguardente verdadeiras nos fazem enxergar o que sempre vimos mas temos vergonha de assumir.


A rotina do demônio é fingir que é Deus e apurrinhar os mais crédulos.
A aranha só tece sua teia pois sabe que não vai morrer enforcada nela.
Constância.
Constância.Constância.Constância.
As verdades, principalmente as minhas, não são absolutas, pois vou me surpreender.
Comigo mesmo ou com o fósforo que vai apagar quando eu abrir a torneira embaixo dele.

2 comentários:

Luís Pedro disse...

Preciso repetir essa estrofe dia pós dia pra mim mesmo e pro mundo ao meu redor: 'Eu sou uma merda de filosofia de botequim que temo em aceitar'. Magnífico!

Anônimo disse...

Filho, o que posso dizer peante a sua genialidade?

Digo que te amo...

Tão simples, mas exprime tudo!!!

Beijo da sua MAMA