Grito Número Nove:

quarta-feira, 11 de novembro de 2009


Há um tempinho atrás acompanhei a saga de vitórias brasileira para sediar dois dos maiores eventos esportivos do planeta. Tanto naquele instante em que assistia milhões de brasileiros pulando e gritando de alegria para sediar as olimpíadas logo em seguida da copa do mundo de futebol, quanto no que foi surgindo quanto à esse respeito depois foi alvo da minha tamanha indignação quanto a realização destes eventos num país como o nosso.
Em primeiro lugar, o Brasil não é o país do futebol, muito menos do carnaval que os gringos vem aqui assistir e esfregar o caralho nas nossas mulatas. O Brasil é sim o país do menino de treze anos viciado em cocaína e acorrentado no sofá pela própria mãe; é o país do esgoto a céu aberto, da dengue, malária e do latrocínio no calçadão do Rio de Janeiro. É a gloriosa nação do salário mínimo; o maravilhoso país que samba e festeja ao saber que muito dinheiro vai ser usado para príncipes de Mônaco jogarem badminton ao invés de colocar um teto embaixo de cabeças faveladas e descobertas. Serão gastos milhões para a população brasileira se bobotizar na “masturbação mental” que é a copa do mundo de futebol ao invés de ajudar um menino de 6 anos que estraga seu pulmão cheirando uma lata de cola de sapateiro por dia, para não sentir fome e esquecer que foi esquecido.
Em segundo lugar, coloco o Brasil como o país do “abraço nu”. O que é o “abraço nu”? Trata-se do mais caloroso abraço que você pode receber de bracinhos desnutridos, esquálidos, secos.
Como é possível, abrigar milhares de turistas numa cidade (ou várias quando se trata da copa) onde não há vagas nos hotéis; aliás, não há nem casa para os próprios habitantes?
Neste momento entra nosso patético e ridículo governo, com planos de implantação de centenas de hotéis. E por que não construí-los em uma reserva ambiental? Sim, é fato. O Rio de Janeiro tem uma de suas reservas ambientais ameaçada para a construção de alguns resorts. Ponto negativo para esta sede esportiva mais uma vez.
Para finalizar esse grito mudo, que deveria ser mais sonoro que a maior das explosões, vem a pergunta para você, que por acaso está lendo meu blog, está recebendo a minha opinião: “o que nós vamos fazer?”. Não há muito o que se fazer além daqui, além de boicotar esses eventos. Dificil para você fazer isso? Sinto muito então e espero que você nunca precise do que as pessoas (que o governo brasileiro vai dar sumiço nos anos dos eventos) precisa agora.
Gritar agora e sempre é a solução! Vire as costas pra essas partidas.

6 comentários:

Jackeline disse...

"Gritar agora e sempre é a solução! Vire as costas pra essas partidas."

Me proponho a virar as costas !!!!!

Parabéns, Doutor !!!!

Thales disse...

Apoiado, Dany.
Olímpiadas e Copa em nosso país e totalmente fora da casinha.

Leonardo Otero disse...

Campanha pela volta da campanha feita pela MTV há um certo tempo:
"Desligue a tv e vá ler um livro"
especialmente em Maio/Junho de 2014 e Agosto de 2016.

Laís almeida disse...

Creio que precisamos fechar nossos ouvidos e surdos gritarmos,pois aqui só há falsas promessas!Quanto mais as ouvimos,mais nos bitolamos.

Júlio Serique disse...

Você é simplesmente arrebatador no que diz, e realista ao extremo ao usar de expressões de baixo calão para mostrar a sua indignação, pois tão baixas quanto essas palavras, é a a "responsabilidade" governamental para com as pessoas no nosso país... simplesmente sem palavras!

Rafa(seu brother) disse...

Genial, assino em baixo. Concordo em número, gênero e degrau, afinal uma olimpíada no brasil é uma faca de dois legumes...